quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Main English baat karta hoon (Eu falo Inglês)

Era apenas mais uma manhã ensolarada (aqui sempre é ensolarado) de Novembro na barulhenta e movimentada Mumbai, e eu voltava de mais uma aula de Português bem sucedida, quando na estação de trem me deparei com um homem evidentemente estrangeiro e com uma mochila de viagem na costas. Seu olhar atento ao mapa dos trens me chamou a atenção e me aproximei no maior Indian Style e perguntei se poderia ajudar.

Estação de Andheri, escrito em inglês e hindi


Após alguns minutos de conversa, e certa estranheza pelo sotaque "britânico" do rapaz,  descobri que ele era irlandês e falei que eu era brasileiro. Foi neste momento que ele soltou a derradeira, definitiva e irrevogável frase causadora deste post, que agora vou traduzir para vocês:


"Muito interessante que você tenha desenvolvido um sotaque indiano no seu inglês, é legal o fato de você ter desenvolvido seu inglês aqui na Índia"

Whaaaaaaaaaaaat? Essa singela e inocente frase me impactou profundamente! De fato, antigamente os indianos me abordavam para perguntar de qual país eu vinha e hoje em dia muitas pessoas me perguntam: " "Você é daqui?" . Isso é uma grande conquista! 


E realmente aqui na Índia a comunicação é um problema sério! É complicado por diversos motivos e o primeiro é que inglês não é nossa língua materna e por mais que usamos o dia todo, de vez em quando acontece alguma falha, expressão estranha, problemas com o sotaque, pronúncia ou simplesmente você nunca pensou naquilo em inglês e não sabe a palavra correta para usar. 

Outro problema sério é que o nível de inglês dos indianos varia muito e cada pessoa foi educada com uma língua materna diferente. Existem 20 e tantas línguas oficiais e 40 e poucas línguas faladas. Imagine que o inglês varia desde completamente incompreensível  até inglês nativo. Essa confusão língustica é tão natural que em Mumbai as pessoas misturam inglês e hindi em uma conversa do dia a dia e eles nem percebem que mudaram de língua. Até eu tento colocar umas palavras em hindi no meio da minha conversa para ficar natural! 

Sendo assim,  vamos ver os 10 mandamentos do Rei da Comunicação na Índia!

1.  Não tente trazudir todas as palavras e expressões do português para inglês. Algumas palavras, mesmo que tenham traduções, não se usam em inglês ou outra língua e expressões nem precisa falar!!! Lembro da vez que tentei falar para as pessoas que eu tinha torcicolo, desastre total!

2. Atente-se à pronúncia das palavras, muitas vezes falamos em uma pronúncia incompreensível e pensamos que estamos corretos. O certo é ser entendido!

3. Tenha paciência de explicar novamente, MUITA PACIÊNCIA!

4. Em muitas situações, se você está com dificuldade de explicar, desista de fazer aquela piadinha inocente, pode ser que vão entender algo completamente diferente e levar a uma situação desagradável sem motivo.

5. Tente bastante, não desista de se comunicar. A cada erro surge uma nova oportunidade de aprendizado!

6. Peça para um amigo próximo te corrigir. Eu tenho alguns amigos aqui que sempre me corrigem caso eu fale algo errado em inglês, é uma ótima maneira de prestar atenção e melhorar!

7. Fale umas palavras em hindi para valorizar o camarote! Os indianos te respeitam mais se você demonstrar que sabe um pouco de hindi. É útil principalmente quando você vai comprar alguma coisa e estão cobrando um preço alto demais. 

8. Não fique pedindo desculpas por não falar direito uma língua, as pessoas vão perceber que você está tentando e vão te ajudar, se não forem compreensivas, não vale a pena falar com elas!

9. Preste atenção na expressão das pessoas as quais você está se comunicando, muitas vezes elas não falarão que não entenderam nada, mas acredite, elas não entenderam nada!

10. Venha para a Índia e ponha em prática!!!!


Até a próxima!!!



  




segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Happy Diwali!!



Semana passada foi celebrado em toda Índia o Diwali, o festival das luzes! Para resumir e facilitar o entendimento em suas mentes ocidentais vou fazer uma simplificação! Pense em um Natalzão indiano e  hindu, uma época em que todos se reunem com a família, as casas estão cheias de comidas e enfeitadas com luzes de cima a baixo, as pessoas dão presentes e e se desejam feliz Diwali. Soa familiar, não?  


É mais ou menos a mesma coisa, tirando a falta do nosso querido velho barbado entregador de presentes e acrescentando fogos de artifício que para nós só aparece no ano novo. Mas é claro, se fossem apenas os fogos seria bonito, mas têm todas as bombas e outras poluições sonoras desagradáveis. Outra coisa muito bacana, são os Rangolis, desenhos feitos no chão com pó. Na minha empresa, foram desenhados alguns Rangolis e nós fizemos um amador em casa.


Pessoal de casa e nosso Rangoli


Rangoli amador de casa

Rangoli de verdade da empresa


Se isso já não fosse o bastante, meu grande amigo Aditya convidou eu e a Marcela a passar a noite mais importante do Diwali com a sua família e até participamos dos rituais. O que se provou ser uma experiência sensacional!

Marcela e eu colocamos nossas ropas mais indianas e pegamos uma hora de trem local para chegar. Retiramos nossos sapatos na entrada (isso deve ser feito em qualquer residência indiana) e fomos recebidos de braços abertos pelos pais e irmão do Aditya.

A comunicação foi um pouco prejudicada pelo fato de não falarmos hindi (eu até que arranho um pouco) e os pais do Aditya não falarem inglês. Entretanto, contamos com a tradução simultânea dos irmãos Sharma e passamos horas conversando desde as mais puras tradições hindus até as mais mundanas conversas sobre o barulho na rua durante o Diwali.

O Sr. Sharma, chefe da família, ficou encarregado de levar as celebrações adiante e preparou todas a mesa de oferendas aos deuses. Pelo que entendi, a deusa que é mais cultuada durante o Diwali é Lakhximi, a deusa da prosperidade. Depois de realizarem a cerimônia, nos convidaram a fazer o mesmo e foram nos explicando o significado por trás de cada ritual.

Depois espalhamos luzes de velas por toda a casa para iluminá-la, devem ser 21 luzes ou 51 ou algum número sagrado. Nunca pode ser um número redondo tipo 10. Mas daria muito trabalho explicar as contas que fazem para chegar nesse número aqui no blog então fiquem ai na curiosidade.



Ritual Diwali

Depois disso, fomos convidados a jantar a deliciosa comida feita pela Sra. Sharma. A essa altura já me acostumei com a pimenta então pude apreciar as maravilhas da comida indiana. (E acho que deram uma aliviada na pimenta para nós!).

Ao final, ainda nos deram dinheiro!!! sim........dinheiro!!! E eu perguntei o porquê. E me disseram que uma visita nunca deve sair de casa com as mãos vazias. Aqui vão algumas fotos que tiramos essa noite.







Obrigado Aditya, Ashish e aos seus pais pela maravilhosa noite!

Um grande abraço e Happy Diwali para todos!








sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Mujhe Money Chahye (Eu quero dinheiro)

Senhoras e Senhores,

Após três meses de inatividade no blog, resolvi tomar vergonha na cara e contar o que ando fazendo aqui na Índia. Isso graças aos fiéis amigos de sempre e os familiares mais próximos que insistem em uma evidência documentada das minhas aventuras orientais!

Não que minha vida aqui tenha se tornado desinteressante ou sem novidades, mas a preguiça de escrever é algo que deve-se levar em consideração! Vou ver se consigo citar algumas coisas que aconteceram comigo nesses três meses!

Como da vez que eu vi o festival de Ganesh onde milhões de pessoas vão às ruas, ou quando eu fui perseguido por uma moto na Caxemira. Da vez que eu fiz aula de hindi por dois meses.Quando fui convidado a tomar chá numa casa em Ladakh onde ninguém falava inglês,  além da vez que fiz um discurso em hindi para 3000 pessoas. E isso é apenas uma amostra...

Pedidas as desculpas e ....vamos ao que interessa! Vou contar para vocês como se ganha dinheiro aqui na Índia, o que nós chamamos de extra jobs (ou bicos)!

Sem contar as nove horas diárias de trabalho no meu escritório e o trabalho de tradutor e intérprete ocasional,  algumas vezes por semana dou aulas de português em duas empresas indianas. É admirável o esforço que alguns indianos têm para aprender nossa língua, uma vez que a estrutura gramatical é completamente diferente e o contato com o português é mínimo.

Juntamente com as veneráveis atividades acima, ainda trabalho como "guia" turístico em um trenzinho para crianças em um shopping center. Segue as fotos como prova:





Apesar de todas essas atividades, ainda sobra tempo para gravar um comercial ou outro de vez em quando, o que é muito divertido e cansativo também. Segue abaixo as fotos de uma gravação.









Até a próxima!!!!

















quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Mera Janamdim (Meu aniversário)

Como se comemora o aniversário na Índia?

Bom, no meu caso não foi muito diferente dos meus brasileiros. Apesar do fato de eu estar a mais de 13 mil quilometros de distância dos amigos de longa data e da família, me senti extremamente acolhido pelos meus amigos indianos e internacionais.


Dia 9 em Mumbai ocorreu o Ramzan Id, o feriado muçulmano que marca o fim do Ramadan. Além de nós, estrangeiros, o escritório contava com poucas pessoas. Alguns amigos do suporte (que funciona 24h, 7dias por semana) estavam presentes e me fizeram uma supresa muito agradável.

Ganhei dois bolos de aniversário e cantaram duas vezes parabéns para você. O diferente aqui é que após o parabéns, você deve servir um pedaço de bolo na boca das pessoas presentes e eles servem um pedaço para você e lambusam sua cara de bolo.










Recebi também um vídeo da minha família que me fez inundar meu teclado do computador e que mostrei para todos amigos indianos.

Depois levei todos os meus amigos da empresa e estrangeiros para a balada. Que não é muito diferente dos nossos barzinhos e baladas, a não ser o fato que fecham à 1:30h da manhã (no máximo).














Obrigado a vocês pelo carinho, estou com muitas saudades do Brasil!  

Meu Hindi tem melhorado nos últimos tempos:

Mera Pariwar mera khushi hai! (Minha família é minha felicidade).



quarta-feira, 24 de julho de 2013

Himalaia Parte 1


A única coisa que eu sabia a caminho de Dharamshala era que lá vivia Dalai Lama. E após 7 horas em um ônibus convencional que parava a cada 30 minutos, sofrendo de  problemas intestinais sérios, eu e meu amigo Jesus descobrimos  que lá há muito mais.



O ambiente do Himalaia é sensacional, talvez seja pela paisagem montanhosa repleta de neblina, pela temperatura amena ou pela charmosa comunidade tibetana. De qualquer modo, você pensa duas vezes em voltar para a suja e movimentada Mumbai.








Caminhamos por uma estrada de terra até a cachoeira na imagem a seguir, no caminho monges tibetanos andando tranquilamente, chineses e indianos dividindo espaço. Em seguida andamos até o vilajero mais a diante para encontrar as fotos abaixo.



Esse lugar não aparenta em nada a Índia em que conheço, a influencia tibetana é tão grande que a comida, as casas, as pessoas são totalmente diferentes. Passamos três preguiçosos dias no meio das montanhas, caminhando lentamente e respirando o ar puro do himalaia. Como refeição, os deliciosos Momos e Tibetian bread. Pelos menos a culinária tibetana não é tão picante como a indiana.


Aqui vai uma coleção de imagens de Dharamshala. Depois conto mais sobre a comunidade tibetana.



























Até a próxima Nein Tupôs (meus amigos em tibetano).

















segunda-feira, 8 de julho de 2013

Viagens Incríveis - Golden Temple

Eu cultivei várias imaginações e fantasias da Índia quando ainda estava no Brasil, porém em nenhuma delas havia algo parecido com o Golden Temple em Amritsar, no norte do país. Este surpreendente monumento todo feito de ouro é a Mecca dos Sikhs, uma religião indiana predominante no estado de Punjab.


Golden Temple
O típico homem Sikh, que eu carinhosamente apelidei de tiozão do turbante, deixa o cabelo e barba crescerem, leva consigo uma faca, pente, pulseira e cueca, os quais são os 5 itens fundamentais da cultura deles. É um festival de turbantes coloridos de várias formas e tamanhos. Eles ainda são pessoas muito gentis e amáveis e os indianos dizem que geralmente têm bastante dinheiro uma vez que são duros trabalhadores. Também tive a oportunidade de me beneficiar dessa generosidade já que passei uma noite gratuita no templo dourado em uma área reservada para estrangeiros.

Homens Sikhs no Templo Dourado
Para entrar no templo, todos devem cobrir seus cabelos, retirar os sapatos e lavar os pés. E após caminhar pelo chão de mármore branco você se depara com o templo dourado ao centro, resguardado pela piscina sagrada e na calçada em volta as milhares de pessoas que vieram visitar o monumento, sejam apenas turistas indianos e estrangeiros ou religiosos sikhs. É difícil não se emocionar diante da visão paradisíaca. Realmente é algo para ser admirado. As canções entoadas pelos autofalantes deixam o clima ainda mais místico e sagrado. 

Peguei uma longa fila pela passarela que leva ao interior do templo, porém a espera valeu a pena e pude presenciar a cantoria ao vivo e a leitura do livro sagrado deles, um livro gigantesco todo escrito em Punjabi, umas das 21 línguas oficiais da Índia. Para não me alongar mais, aqui vão fotos que tirei da minha visita.

Visitantes banhando-se na piscina sagrada


Punjab também é Brasil!

Visitantes rezando em volta do Golden Temple




Laterais do Golden Temple

Para os meus amigos, aqui vai um desabafo, é uma sensação frustante escrever no blog e ter que omitir tantos fatos, histórias e pessoas que encontrei para manter tamanho e gasto de tempo razoáveis. Existe muito mais Golden Templo, punjabi, Amritsar e Sikhs do que pude relatar, mas esses ficarão apenas na minha memória!

Aqui vai uma frase em Punjabi que um garoto Sikh de 15 anos me ensinou. (vou escrever como eu escutei)

saath guru akal!



Eu no Golden Temple