terça-feira, 28 de maio de 2013

Agla Station Andheri


Finalmente aqui vão os vídeos complementares da postagem anterior:

Nesse primeiro vídeo estou na plataforma da estação Andheri às 6:50 da manhã.




Aqui é a agradável paisagem que vemos durante nossos passeios de trem:








Khubsoraat ou não?

Agla Station: Bandra!

Sempre gostei de filmes de guerras medievais. Principalmente aqueles momentos do cerco no qual se quebram os portões e os exércitos ficam frente a frente ou sobem-se as escadas da fortaleza em uma batalha sanguinária, cruel e sem fim. Quando o som das espadas chocando-se com escudos e o suave som das flechas cortando o ar se misturam os gritos incessantes de coragem e dor. Tudo isso é extremamente emocionante!


Estação Santa Cruz às 9:30h

Bom, desembarcar de um trem local em Mumbai é exatamente a mesma sensação. Já me peguei por diversas vezes imaginando a cena do 300 de Esparta em que o Rei Leonidas fala: THIS IS SPARTAAA!
Já dá para imaginar o quanto é cheio nos horários de pico. Mas tirando isso, até que é uma viagem tranquila e agradável. Além disso, os indianos têm vários conceitos interessantes e engenhosos nos trens deles.


Interior do Trerm - Mumbai
Interior do trem - Mumbai

A começar que em cada estação existem vários trilhos diferentes para ir e vir. Os trens não necessariamente vão até o final da linha, eles podem ter como destino estações intermediárias. Outro conceito é o de estações principais e estações secundárias. Nas estações principais como Andheri e Bandra param todos os trens os FAST(rápidos) e SLOW(devagar). Nas estações secundárias como Ville Parle e Santa Cruz só param os trens marcados como SLOW. Existem várias estações secundárias entre duas principais.









Outro conceito interessante são os vagões. Existem os vagões especiais para mulheres, deficientes, bagagens e vagões de primeira e segunda classe. Imagina o quanto não dá trabalho até acertar em qual compartimento entrar. Não sei o preço da primeira classe mas acredito que seja entre 5 a 10 vezes mais caro que o da segunda classe. Outra coisa, não existe catracas você compra os bilhetes (ou não) e tem que registrar sua saída numa máquina no cantinho. Se o guarda te pegar sem bilhetes tem que pagar uma multa.

Eu no trem!

Agora junta tudo isso para ver! Imagina eu acordando atrasado para ir para o Yoga, saindo correndo para achar a plataforma certa, o destino do trem, desviando da mulher de Burka, caçando o compartimento da segunda classe, aquela confusão de gente indo e vindo, saaris, kurtas e turbantes para tudo que é lado.....você acha que eu já não fui parar bem longe do meu destino?

Estou tentando fazer o upload dos vídeos que fiz no trem. Quando conseguir eu atualizo aqui.

abraços,






terça-feira, 21 de maio de 2013

Entre Saaris, Burkas e Turbantes - Kurta!

Se você acha que na Índia as pessoas usam roupas exóticas, coloridas e estampadas está completamente errado e completamente certo também! Aqui as roupas tradicionais, as quais eles chamam de étnicas e as roupas ocidentais, que nós chamamos simplesmente de roupas, se misturam com uma naturalidade surpreendente. Não é difícil encontrar alguém de calça jeans usando uma kurta, ou de saari com um tênis de corrida no pé. A beleza disso tudo está em incorporar as novas tendências sem deixar a tradição de lado e isso eles fazem muito bem.

Contudo, é uma tarefa impossível retratar como os indianos se vestem porque isso depende da região e religião a qual pertencem. Então da próxima vez que perguntar sobre as roupas, lembre-se de perguntar como os Marathi, os Rajasthani ou os Punjabi (e por aí vai) se vestem . É complicado mesmo, quem disse que entender a Índia era fácil?

Mas para a minha e sua tranquilidade, esse não é um blog informativo e sim minha visão pessoal e distorcida da realidade! Sendo assim e já feitas as considerações iniciais, vamos falar da minha vestimenta favorita hoje: A kurta!


Chegando do trabalho (faltou mostrar o chinelo no pé)




Imagine uma camisola arrumada, super confortável e muito bonita. Pode ser curta, pouco maior que uma camiseta ou longa quase como um vestido, mas não se esqueça de usar calça por baixo, ok? Existem kurtas de manga cumprida, curta ou sem manga, preta, branca e colorida. Serve tanto para homens como para mulheres. Dá um leve toque tradicional, mas a maioria dos jovens usa e fica uma beleza. Existem kurtas festivas para casamentos e celebrações em grande estilo, e outras totalmente casuais.


Minhas Professoras do Yoga usando kurta
Aqui vai mais algumas fotos que eu tirei na rua e uns links para quem quiser olhar mais modelitos!



Loja Virtual-Feminino
Loja Virtual - Masculino

Um grande abraço do Oriente para vocês!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Focus on your Breathing

Namastê,


Eu não poderia passar um ano na terra do Yoga sem ao menos experimentar uma vez essa filosofia secular. Mas não poderia imaginar que a oportunidade viria tão cedo. Durante um despropositado jantar de despedida de uma brasileira, um amigo me convidou a participar do curso "21 days of living better" (21 dias de viver melhor), como o preço era extremamente atraente eu resolvi encarar.

O curso é promovido pelo "The Yoga Institute", que nada mais é do que o primeiro centro de Yoga do mundo, fundado por Shri Yogendra. Quem dirige o Instituto hoje, é seu filho e esposa. Aqui vai o link do Instituto: http://theyogainstitute.org/about-us/

Salão principal onde ocorre a palestra


O curso funciona da seguinte forma: são vinte e um dias seguidos de aula com ensinamentos sobre a filosofia do Yoga e treinamentos das posições (asanas). Começa todas as manhãs às 7:20h (acordar às 6:30h faz parte) com uma palestra dos diretores sobre alguma reflexão sobre a vida. Alguns temas abordados até agora foram contentamento, expectativas e desejos. Essas palestras são abertas e em seguida cada classe vai para sua respectiva sala.

Minha turma é bem misturada, têm homens, mulheres, jovens e velhos, magros e gordos, indianos, eu e mais um brasileiro. É engraçado como naturalmente os homens sempre sentam à direita e as mulheres sempre à esquerda, mas não há nenhuma regra sobre isso.

O que entendi até sobre tudo isso é que o Yoga é o equilíbrio entre a mente e o corpo, de modo que trabalhem em sintonia. A frase mais usada pelos professores é "focus on your breathing" (foque na sua respiração). Além disso, não posso deixar de mencionar que tenho quatro professores na minha turma e todos eles são voluntários, tem até um que usa turbante e fala como um guru.

Vajrasana - posição de meditação


Durante as aulas os professores continuam os ensinamentos falando várias posturas que devemos ter na nossa vida para vivermos melhor. São atitudes muito simples, mas difíceis de implementar na prática como não se aborrecer com as situações, não criar expectativas sobre as situações ou pessoas, buscar conhecimento de si mesmo, se concentrar de verdade nas suas atividades e por aí vai. Além de tudo isso aprendemos todos os movimentos que nos fazem relaxar e movimentar nossos corpos. E não há música alguma.


Agora chega de informações úteis, vamos à parte divertida, todas as coisas estranhas e engraçadas a quais nos submetemos para vivermos melhor!

Algumas palestras são em hindi, então imagina meu entendimento sobre a tal. Já contei todos os desenhos do tapetinho que sentamos.
Sempre que vamos aprender uma posição nova eles chamam alguém para ficar de modelo, eu já fui algumas vezes, o engraçado é que não entendo 100% das palavras então imagina eu fazendo um movimento totalmente aleatório e sem sentido lá na frente.
Jala Neeti - simplesmente respirar água! É um ritual de limpeza que exige uma certa preparação, mas realmente limpa bem as vias respiratórias. Depois disso temos que fazer outro movimento que imita bem um cachorro farejando!
Todos os dias a noite temos que escrever dez pequenas coisas que nos deixaram felizes aquele dia e entregar no dia seguinte. São coisas muito simples, mas que você começa a prestar atenção já que tem que escrever as benditas dez coisas. Hoje vou dividir meus dez "positive points".

1) Ter uma ótima discussão sobre a vida no Yoga
2) Conversar sobre a aula de Yoga com amigos
3) Ter uma conversa divertida no trabalho
4) Me apresentar para um departamento da empresa
5) Ensinar português para um amigo
6) Conversar sobre viagens na India
7) Receber um sorriso ao dizer boa noite
8) Tomar Lassi de manga
9) Escrever no meu blog
10) Ligar para meu pai


Shubh ratri







terça-feira, 7 de maio de 2013

Um Dia Comum

Todos os dias úteis em Mumbai, milhões de pessoas acordam e vão trabalhar, seja de Rickshaw, trem, carro ou táxi. Mas existe uma diferença fundamental entre elas e eu. Tenho uma câmera na mão! Nos três vídeos a seguir eu mostro meu caminho diário ao trabalho.




Aqui na Índia sábado é dia útil. As pessoas vão trabalhar às 10h da manhã e saem às 17h ou 18h. Deve ser por isso que trabalham um dia a mais. Também não costumam fazer uma hora completa de almoço e sim uma meia hora. Já na empresa que trabalho, cada pessoa tem um horário diferente dependendo da equipe, meu time entra às 14h e sai às 23h porque trabalhamos no horário comercial brasileiro, ou o mais próximo que conseguimos. Me sinto muito sortudo já que não trabalho aos sábados.






Nesse último vídeo estou chegando ao trabalho. Repara bem na fazenda de búfalos que tem perto do escritório.






Apenas mais um dia na Índia!

Chalô Chalô



sexta-feira, 3 de maio de 2013

Não se Preocupe! Você é Branco!

Se existe alguma coisa que me incomoda mais do que o calor insuportável e os ratos andando por aí é essa frase. Ela é bem comum na India, basta você perguntar a algum indiano se a sua atitude é conveniente ou não e eles te respondem dessa forma. O que eu quero dizer com isso?

Aqui a pele branca é muito valorizada, como um status social. Seja em barzinhos ou baladas, seja em comerciais, entrevistas ou filmes de Bollywood, existe a possibilidade de aproveitar bastante uma cor mais clarinha. Tem gente aqui é pago para ser amigo de um casal indiano, andar com eles e tomar Champagne. É muito fácil conseguir fazer comerciais ou participar como figurante em filmes, e os estrangeiros ganham muito bem por isso. Já apareceu algumas oportunidades para mim, quem sabe?



A parte boa de ser diferente de todo mundo é que as pessoas tem curiosidade, ficam olhando na rua vem falar com você, perguntam da onde você é e se interessam pelo Brasil. Acho isso bem saudável e me divirto quando pedem para tirar foto comigo, aliás, eu peço para tirar foto com eles também. Como na foto abaixo no trem rumo a Matheran.


Porém há algumas situações bem desconfortáveis. Um exemplo é que eu havia comprado uma Kurta (roupa tradicional indiana) e não sabia se tinha comprado um pijama ou uma roupa normal, ao perguntar à minha amiga indiana, ela me disse: Don't Worry you are white (não se preocupe, você é branco). Outra situação desagradável foi quando me chamaram para jogar futebol e eu disse que não era bom apesar de ser brasileiro. Como resposta eu recebi: Não se preocupe, você é branco, nada é proibido para você! São nas pequenas situações que você percebe esse comportamento de supervalorização.

Cabe a nós, estrangeiros, escolher entre aproveitar essas facilidades disponíveis e viver no "mundinho dos estrangeiros"  ou mostrar que no final das contas todo mundo é igual. E como podemos fazer isso?
Não precisa de muito, basta ser você mesmo, aproveitar para contar sobre o Brasil e aprender sobre a India, falar besteira, almoçar com o pessoal do trabalho, perguntar quanto foi o jogo de Cricket e outras ações cotidianas.

Bom, a Aiesec fala muito sobre o impacto que podemos causar nas nossas viagens e penso que é exatamente entre uma frase e outra, com pequenos exemplos e influenciando poucas pessoas que causamos esse impacto. Espero deixar um pedaço do Brasil em cada pessoa que eu conversar e ganhar um pedacinho da India a cada dia.


Voltando ao assunto do post, percebo que entre os jovens de Mumbai esse pensamento já está mudando à medida que eles conhecem os estrangeiros, mas só saberemos nas próximas gerações, certo?


Então: Chinta mat ka ro! (Não se preocupe!)



abraços,